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Trabalhou desde a infância, estudou e formou-se em direito. Esse é um trecho de uma vida cheia de conquistas, onde um velho rico construiu um império, com o esforço de uma vida inteira. Viúvo, teve três filhos, dois homens e uma menina.

Em seu dia-a-dia só havia espaço para os dois meninos, que seguiriam seus passos, pois a menina, para ele não detinha de valor algum, representava apenas uma criança, infeliz e incapaz. Os dois homens era seu orgulho, pensava em qual dos dois o substituiria na presidência do mais renomado escritório de advocacia da capital paulista.

A menina ao completar seus doze anos de idade, já tinha uma maturidade inimaginável para sua faixa etária, desde nova independente. Cansada de tanto sofrer, descriminada por um pai que tinha olhos apenas para seus irmãos, Saiu de casa, encorajada pela decisão de vencer, tão voltou para casa.

Ao velho, ela não fez nenhuma falta, foi tida como alívio sua partida, não precisará se deparar mais com aquele ser inferior, pois tão próximo ele não mais se encontra. Sua trajetória, agora, é formar seus dois filhos, torná-los como o pai. Ele não encontrava dificuldade alguma.

Os anos passaram, para a surpresa do pai o escritório terá que ser vendido, para pagar as dívidas dos filhos, que em seus percursos, acabaram se desviando, um usuário de drogas e outro alcoólatra. A decepção foi grande.

O novo dono do escritório, desde a compra nunca fora lá, mas preferiu manter a estrutura funcional. O Velho foi contratado, e continuou a trabalhar no que um dia foi seu, não mais como presidente e sim como um advogado, pois era uma exigência dele para a venda do imóvel.

Numa tarde de segunda, no fim de seu expediente, foi chamado pela secretária, para assinar sua demissão. Revoltado, ele exigiu conversar com o proprietário do escritório. A secretária o levou à sala de seu patrão. Ao ver que era uma mulher não mais discutiu, apenas falou:

- Eu não nasci para chamar uma mulher de meu patrão.

E assinou o papel que ela entregou-lhe.

Saindo do prédio, a secretária chamou-o, dizendo que alguém queria conversar com ele, e que o esperava em sua antiga sala. Subiu para o andar que trabalhava e ao entrar na sala surpreendeu-se era um menino de oito anos, que o abraçou e chorava em seus braços. A dona do escritório chegou em seguida e ele logo foi falando:

- Você agora a pouco assinou minha demissão, o que faz aqui?

- Aquilo não era sua demissão, era a escritura deste imóvel, o qual agora é seu, e essa criança que você está abraçando é o seu n…

Antes de a mulher terminar de falar, o Velho sente um aperto forte, e chorando, corre para abraçar sua filha e pedir-lhe perdão.

Marcel Nepomuceno de Oliveira

Atlântida

 
     



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